segunda-feira, 12 de abril de 2010

Belo mundo cruel

Público para a sessão de "O Deserto da Arte Proibida"

O festival É Tudo Verdade já está rolando no Rio desde o dia 9 de abril e vai até o próximo domingo 18. Nesse ano, além do CCBB, outros lugares estão participando do evento: Unibanco Arteplex, Cinemark Downtown, Ponto Cine Guadalupe, Cine Santa Teresa e Instituto Moreira Salles. Vale MUITO a pena caçar os títulos pela programação, pois muitos não entrarão no circuito comercial, outros serão os cobiçados em outros festivais, como o Festival do Rio e, certamente, todos ampliam bastante nossos horizontes. Além de tudo, todas as exibições são de graça. Segue texto da divulgação, desse link:

O festival chega a sua 15ª edição, sempre trazendo o melhor da produção documental de cada ano. A competição internacional delongas e médias-metragens apresenta 12 títulos, rodados nos cinco continentes, além de nove produções na disputa internacional. Entre os longas estrangeiros destaca-se: O Homem Mais Perigoso dos Estados Unidos: Daniel Ellsberg e os Documentos do Pentágono, de Judith Ehrlich e Rick Goldsmith. Indicado ao Oscar 2010 e premiado no Festival Internacional de Documentários de Amsterdam, o documentário retrata o ex-analista militar americano que divulgou papéis secretos, expondo mentiras de cinco presidentes sobre a Guerra do Vietnã.

Nesta mesma competição, O Jogador (The Player), de John Appel, vencedor do prêmio de Melhor Documentário do Festival de Amsterdam 2009. Partindo de uma história familiar, Appel investiga o vício em apostas. Entre os curtas concorrentes, destaca-se o novo filme do cineasta brasileiro radicado na Espanha, Sergio Oksman. Notes on the Other é um ensaio sobre a identidade a partir de um episódio marcante na experiência espanhola de Ernest Hemingway.

Programação aqui. E, para os atrasados/desesperados (eu!), haverá uma reprise da mostra Retrospectiva Alain Cavalier no dia 19 no Cinemaison, na Maison de France. Bom filme!

Iguacine 2010

Nesta quinta-feira, dia 15, começa o IGUACINE 2010 (3o Festival de Cinema de Nova Iguaçu). O evento, que termina no dia 21, contará com a exibição de longas e mostras competitivas de curtas. A entrada é franca.

VEJA A PROGRAMAÇÃO AQUI

Teaser de um dos curtas selecionados para a mostra competitiva




MAIS INFORMAÇÕES

Mamãe é de morte [made in Korea]

Por Gabriel Giraud


Fui comemorar o novo visual do blog indo ver sozinho a estreia de Mother – a busca pela verdade. Vi que a crítica era muito boa e que era um filme coreano. Isso tem se tornado uma constante no mundo do cinema: thrillers coreanos com críticas excelentes. Daí, pra não perder tempo com miudezas, já fui esquadrinhando como o filme devia ser (de acordo com os poucos filmes coreanos que vi): situações extremas de desespero; emoções e reações desmesuradas; psicose/psicopatia; polícia incompetente; mortes violentas; narrativa capciosa; final trágico e pessimista. Pra quem não viu, veja O Caçador (crítica aqui), e os do Ki-duk Kim Time, Fôlego e Casa Vazia. (Apenas Time e Casa Vazia têm exceções nessa listinha.)

Malz aê pelo spoilerzinho, mas, sim, temos todos esses elementos no filme. Nesse caso, a psicopatia superprotetora da mãe é o carro-chefe da história. O assassinato, a acusação do filho com problemas mentais e as descobertas da vida da vítima são os elementos que brincam com a cabeça já não muito boa da velha. E o legal disso é que tudo, todos os detalhezinhos, as minúcias, tudo, tudo, é muito bem feito. Uma coisa leva à outra de tal maneira que você não imagina, mas, uma vez que se tem uma informação, nenhuma outra coisa pode ser verdade. E isso é quebrado majestosamente. “A busca pela verdade” pode não valer a pena. E mais, ela pode ser remediada! Joon-ho Bong, roteirista e diretor do filme, ganhou meu “bravo!”

Mas o que me amedronta, me surpreende e me instiga é como uma narrativa oriental pode ser considerada genial no ponto de vista da crítica ocidental. Parece que estamos sedentos por essa psicopatia social tão características dessas áreas superpopulosas e por uma estética que saia do pop ladygaguiano. Talvez não, talvez seja uma real genialidade desses diretores coreanos que conseguiram, com suas temáticas, transcender com uma narrativa simples e chegar num íntimo humano jamais antes alcançado – o íntimo do desespero (sem apelos ao terror gratuito, mas ao terror como consequência de medidas desesperadas). Questões para pensarmos.

Não sei se você sabe, estimado leitor, que um filme que provavelmente você viu e muito provavelmente você a-m-o-u foi escrito e dirigido por Bong. Tokyo!, aquele filme tríptico com três médias (uma do Michel Gondry, Interior Design; outra do Leos Carax, Merde; e a terceira dele mesmo, Bong, Shaking Tokyo). Esse filminho dele, bem como Mother, trata a sociedade como uma máquina má. Escapa dela quem se isola completamente. Mas deixemos isso de lado.

Por fim, os simbolismos, a estética, a atuação e, principalmente, a narrativa, me fizeram dar o meu primeiro cinco rabiscos. Eu, ao longo do filme, hesitava entre três ou quatro rabiscos, mas, pela primeira vez, eu vi um deus ex-machina que faz o filme ganhar uma dimensão absurda. Uma agulhadinha e – nunca pensei que anestesiar uma dor e a consciência fosse tão simples. Talvez seja por isso que esse filme seduz. Nunca a anestesia e o torpor, tão desejados pelo homem moderno, foram tão francamente expostos.

(Música final maravilhosa. Pena que a p*** do Espaço de Cinema esteja com o som horrível.)



sábado, 10 de abril de 2010

Irmãos Coen x Tarantino

Tarantino ou Irmãos Coen? Pessoalmente eu gosto mais dos Coen, pela simples razão de eles ridicularizarem usos e costumes, com uma certa predileção por anônimos fracassados em situações totalmente inesperadas e suas reviravoltas... Mas, deixando o favoritismo de lado, quero deixar claro que sou fã dos trabalhos do Tarantino.

Não sei se eles são amigos, se se falam ou não, creio que sim. Mas no vídeo abaixo, o brasileiro Leandro Braga mashupou uma seqüência fenomenal de grandes momentos das filmografias dos diretores, parecem pedaços de um mesmo universo. O humor negro e uma ultraviolência é presente no trabalho dos dois. Eu curti, dê uma checada também.

Contatos de 4º Grau (The Fourth Kind)

SESSÃO "CEDENDO ESPAÇO"

Por Vitor Lopes

“Sou a atriz Milla Jovovich. Eu vou interpretar a Dr. Abigail Tyler. Este filme é uma dramatização fiel aos eventos de Outubro de 2000. Cada cena nesse filme se baseia em gravações reais. O que vocês estão prestes a ver é extremamente perturbador.”

O trailer já tinha avisado, e o filme começa exatamente com essa explicação. Milla (Quinto Elemento, Joana D’Arc, Resident Evil) interpreta uma psicóloga de uma cidadezinha do interior do Alaska, nos Estados Unidos. A partir de uma série de coincidências entre seus pacientes, ela decide fazer sessões de hipnose com eles para saber o que está realmente acontecendo. Todas as sessões são filmadas pela Dr. Abigail, e são essas imagens de arquivo que servem como base para todo o filme. Além disso, temos a própria psicóloga dando entrevista para um tal de Olatunde Osunsanmi, da Universidade Chapman (?), sobre tudo o que ela tinha presenciado e experimentado na época dos acontecimentos. Ao final do filme, Jovovich e Osunsanmi falam diretamente com o público sobre os bastidores do filme (como quem topou colaborar ou não) e fazem uma reflexão para instigar os expectadores a pensar se acreditam ou não na veracidade da história. E a história, para quem não ouvir falar ainda, é sobre abdução por extras terrestres.

Já ouvi comparações com Bruxa de Blair e Atividade Paranormal, mas aposto que as pessoas que falaram isso não tinham assistido Contatos de 4º Grau ainda. Mesmo que esses outros dois filmes sejam bons, eles apenas se baseiam em histórias reais, mas são 100% ficção. Contatos de 4º Grau (The Fourth Kind) mistura as imagens reais de arquivo com as “representações artísticas”, mostrando que não há romantização alguma. E a edição é a principal ferramenta que torna essa história um filme magnífico, principalmente pelo poder de suspense que ela fornece. Depois de dar uns dois gritos dentro do cinema, olhei para o lado e vi minha amiga encolhida na cadeira, se preparando para o próximo choque. Não adiantou de nada, ela gritou de novo (e eu também).

No fim do filme (leia-se créditos) somos mergulhados numa enxurrada de gravações telefônicas de variadas épocas, cidades e pessoas, relatando algum tipo de experiência com extras terrestres, desde alguém no Kansas que viu uma luz brilhante no céu à uma pessoa em NYC que diz ter sido abduzida por seres de outro planeta. Eu, como a maioria no cinema, fiquei sentadinho na poltrona até o último relato terminar. E por culpa desse aperitivo final, não sabia eu quem tinha dirigido o filme. Há menos de meia hora o Google me contou que foi (agora veja você) o tal do Olatunde Osunsanmi. Esse é apenas o terceiro filme que ele dirige, mas posso garantir que fez um trabalho muito melhor do que centenas de veteranos têm feito por aí ultimamente.


quarta-feira, 7 de abril de 2010

Adidas Originals - Coleção Star Wars

Notícia um pouquinho atrasada, mas interessante.

A Adidas Originals Star Wars Collection, lançada nos EUA em janeiro, chegou ao Brasil em março. Agora você pode ter uma vestimenta completa de Star Wars e não se sentir tão geek, se bem que ser geek está na moda, então...

Aí vão algumas imagens dos produtos:



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Vídeo publicitário com o maior geek do Futebol , David Beckham, e o nerd da informática Snoopy Dogg.


O vídeo é demais e a coleção mais ainda. Bolei sério.

O Pós-festa [Parte 2]


ESPECIAL OSCAR 2010*
Por Matheus Miguens


Demorou, mas chegou!

Queria primeiro me desculpar com os chatonildos de plantão que me cobram incessantemente essa continuação do post, e depois agradecer a eles. Agradecer também ao patrão-amigo Mathias e Giraud que sempre acreditaram no meu talento (sempre quis dizer isso!) e dia-a-dia mostram ter mais paciência comigo. E o último agradecimento vai para os novos leitores do blog! Mesmo todos não comentando, recebi notícias de novas pessoas que perdem seu tempo útil para ler essa bodega aqui, valeu mesmo. Sem vocês nós não seríamos nada! (Também sempre quis dizer isso!) Vamos ao que interessa.

Fora de propósito que nada! Oscar nunca sai de moda. Vamos falar dele.

Numa desventura pessoal que me aconteceu por esses dias, eu fui alertado de que estaria “confundindo as coisas” no dado momento. Isso parece sempre acontecer comigo – e com quem já não? Pois é, com os filmes não parece ser diferente. Apesar da sua consistência e das excelentes atuações, tenho um leve preconceito com Preciosa, vencedor do Oscar de Roteiro Adaptado (A segunda zebra do ano). Acho um filme apelativo dentro e fora das telas. Um livro de uma autora negra (Sapphire) foi lido por uma mulher negra (Oprah) que quis transformar num filme feito todo por negros para mostrar ao mundo a vida trágica de uma negra (Precious). Por si só, ele já soa preconceituoso. Preciosa enquanto filme é bom, mas é preciso separar as coisas. Confesso que o rejeitei antes de vê-lo, mas isso não tira o seu valor. Entretanto, minha aposta era do ‘favorito’ Amor Sem Escalas (Crítica Up In The Air), ganhador do Globo de Ouro da mesma categoria. Um filme bem contemporâneo de roteiro impecável onde tudo se encaixa, com personagens e diálogos interessantíssimos, e com o humor peculiar do diretor Jason Reitman (Juno;Obrigado Por Fumar). Dei-me mal.


em Roteiro Original - pra mim, a categoria mais disputada -, não tinha um favorito. Ganhou o ótimo argumento de Mark Boal por Guerra Ao Terror, cercado por uma certa polêmica – um militar está processando os produtores do filme por afirmar que a história se baseou em sua vida. Na hora de agradecer o Oscar, Boal lembrou os militares que continuam no Iraque e aqueles que morreram em combate. Tudo isso muito bom, muito legal, mas e o Tarantino? O prêmio podia ter sido dele, já que esse filme de guerra aí acabou com a noite! Num estilo prêmio de consolação, acho que Bastardos poderia ter levado, seu roteiro é tão bom quanto. Mas meu voto mesmo era dos irmãos Coen (Fargo; Onde os Fracos Não Tem Vez) – vocês devem estar achando que eu sou maluco - que concorreram com o brilhante A Serious Man. Dificilmente eles iriam ganhar por já possuírem quatro estatuetas, mas fazer o quê, esse foi um voto intencional afetivo. Num tem como, são os Irmãos Coen!

To indo pela ordem do IMDB, mas nesse momento não irei respeitá-la. Vamos deixar direção pra depois...




Atriz Coadjuvante foi a pura marmelada. Com um excepcional trabalho em Precious, Mo’Nique – até então atriz de ‘bobeiróis’ americanos – levou a melhor. Extremamente ovacionada na premiação - e não foi para menos -, ela disse que muitas vezes as pessoas devem deixar de fazer o que agrada para fazer o que é correto. Que isso sirva como elemento decisório para seus próximos filmes, já que, apesar de seus 10 anos de cinema, sua carreira acaba de começar. Parabéns.
A maior zebra da noite já foi apontada no post anterior (filme estrangeiro). Agora, mais do que o prêmio de atriz coadjuvante, é a vez da maior ‘barbada’! Até então, alguém já tinha escutado falar de Cristoph Waltz? Como um ator austríaco de 54 anos com mais de 94 trabalhos na carreira, entre TV e cinema, quase todos regionais, iria chegar à liderança mundial de seu ofício? Pergunta pro Tarantino, foi ele quem planejou tudo. Bastardos Inglórios (crítica Inglorious Basterds) foi palco pro espetáculo do poliglota Waltz, que levou tudo por onde passou (ao todo foram 36 prêmios e 5 indicações ao redor do mundo). Ao receber a estatueta de melhor ator coadjuvante, o gentil e elegante ator agradeceu e elogiou o trabalho do grande Quentin Tarantino, responsável por ter colocado o melhor papel do filme em suas mãos. Merecidíssimo!



O prêmio de melhor atriz foi para Sandra Bullock, acertei. Baseada integralmente no terceiro elemento (predestinação) que define um ganhador do Oscar, a minha aposta foi pra ela. Não diria que foi injusto. Bullock levou a estatueta por questões políticas, pela sua história no cinema, Oscar também é isso. Carismática, já participou de alguns filmes importantes e é tida como uma ‘queridinha’ de Hollywood. Mas pelo amor de deus, o filminho-sessão-da-tarde Um Sonho Possível não foi nem de longe a melhor atuação de Bullock e muito menos a melhor do ano. As concorrentes Meryl Streep e Helen Mirren eternamente são melhores que as demais. Carey Mulligan e Gabourey Sidibe, apesar de calouras, fizeram grandes trabalhos.
O Oscar, muitas vezes, não premia por uma interpretação específica, mas por toda uma carreira. E não vejo nada de mal nisso. Aconteceu com Sandra Bullock e se repetiu com Jeff Bridges – que já havia sido indicado outras quatro vezes – no prêmio de melhor ator, mas com uma diferença: foi merecido. Acabo de ver Crazy Heart. O filme em si não me convenceu, mas Jeff sim. Na pele de um cantor country fracassado, ele parece não estar atuando. Ao interpretar tão bem e ainda conseguir manter o carisma para um personagem tão desgastado, ele traz ao filme um brilho próprio, porém quase que sabotado por Maggie Gyllenhaal, que contracena com Bridges. Ela não se encaixa no papel – que lhe rendeu uma indicação ao prêmio de atriz coadjuvante - e nem no filme. Aliás, nunca vi potencial algum nesse ser. Sabe lá deus como a mulher conseguiu os papéis que já interpretou (e não são modestos), mas pra mim ela escolheu a profissão errada. Mas enfim, mesmo não tendo gostado tanto do filme, sou fã de Bridges. Aí vai um fato curioso: quando a distribuidora viu o filme pronto, resolveu lançá-lo às pressas porque viu nele a chance do Oscar. Estavam certos.




O que podemos explicar para a pessoa que está começando a gostar de cinema, que assistiu a Avatar e tinha certeza de que a Academia lhe outorgaria os merecidos prêmios, não só técnicos? Vamos lá...
Voltemos no tempo. Antes da festa do Oscar, Avatar era tido como o bam-bam-bam do ano. Críticos e público apostaram no massacre do filme na premiação, logo em suas primeiras semanas de estréia nos EUA. Sim, no estilo flashback de 12 anos atrás quando Titanic, também de Cameron, resolveu acabar com a noite. Ok, cortemos para um outro cenário. 2008, ano antecessor do lançamento de Avatar, foi marcado pelo lançamento de um outro filme, até então desconhecido, de nome The Hurt Locker, que tinha como diretora ninguém menos do que a ex-mulher de James Cameron, Kathryn Bigelow. O filme fracassou nas bilheterias americanas e ficou pouco tempo nas telonas. Baseado nessa situação, em alguns países, inclusive no Brasil, ele foi lançado pela distribuidora direto em DVD pelo receio de não ser lucrativo colocá-lo no circuito de cinemas. Essa falta de credibilidade acarretou em todos os males possíveis ao filme, inclusive numa péssima capa do próprio DVD. Eis que ao longo de 2009 surge um súbito ‘movimento’ de opiniões entre alguns críticos americanos a favor de The Hurt Locker, que num movimento bola-de-neve acabou por influenciar a outros pensadores da sétima arte e ao público ao redor do mundo. Qual foi o resultado? Voltar com o filme pros cinemas! Esse aparecimento verbal é muito importante para a saúde sócio-econômica de uma película e, de fato, o Guerra Ao Terror que conhecemos só foi surgir após Avatar. Até aí nada de novo. Atmosfera criada.
Considero os dois filmes igualmente bons, com propostas completamente diferentes. Avatar é um filme que tem sua concepção antes do próprio filme. Com um altíssimo orçamento, ele é baseado numa historia que não é lá tão nova assim, porém altamente sedutora e perfeitamente representada por um roteiro eficiente e uma direção impecável, regentes de uma pós-produção impressionante. Entretenimento com qualidade. Guerra Ao Terror já é quase todo o contrário. Portado de um orçamento baixo, é um filme onde tudo acontece ali, cena a cena. Sem um modelo pré-estabelecido de roteiro, a história é feita pra ser digerida a cada segundo, sem poder de dedução. É aí que o filme é potencializado. A direção resolve explorar isso e passa a ser agente. Fugindo da apatia, ela é frenética e dita o ritmo do longa, com câmeras panorâmicas, closes trêmulos, multi-ângulos, etc. Uma visão incrível da história, filmada em condições bastante difíceis e com precisão. Um belíssimo trabalho que rendeu a Kathryn Bigelow o merecido Oscar de Melhor Direção. A primeira mulher a vencer na história da premiação.
Eis que o prêmio de melhor filme acaba indo também para Guerra Ao Terror. Aí eu fui contra. Definitivamente essa vitória quis significar outra vitória, a da ‘qualidade’ sobre os ‘altos orçamentos’. Guerra Ao Terror não investe em novas tecnologias, como Avatar, mas faz o cinema avançar em outros sentidos, como o de reafirmar que filmes de altíssima qualidade podem ser produzidos com orçamentos diminutos. Reconheço tudo isso, mas ouso dizer – espero não me arrepender disso – que Avatar é melhor. Por que os ‘altos orçamentos’ não têm capacidade de produzirem ‘qualidade’? O fato de um termo excluir o outro virou mais um estereótipo “alternativo” (um alternativo também estereotipado) do que uma verdade. Acho burrice de Hollywood não apoiar os blockbusters que a sustentam, ainda mais agora que finalmente apareceu um bom (e não sabemos quanto tempo teremos que esperar por outro do mesmo nível. Talvez mais 12 anos?).
Ok, chega de polemizar Avatar e Guerra Ao Terror. Muita gente deve não gostar de mim nesse momento. Então, àqueles que possuírem um potencial intelectual para formarem opiniões sobre cinema e que forem contra as minhas, terei o maior prazer de duelar argumentativamente. Àqueles que se apropriam de ideias alheias pra formarem um pensamento raso e popular sobre cinema eu digo: num enche, sou publicitário.
Esse foi o Oscar.