terça-feira, 11 de maio de 2010

De cabo a rabo



O bandido da luz vermelha de Rogério Sganzerla

Para quem valoriza o cinema brasileiro e nem sempre consegue achar bons filmes em cartaz, a Cinemateca do MAM fez uma seleção de renomados títulos nacionais para exibição. Aí vai a programação desta semana:

Qui 13
18h30 – O judeu de Tom Job Azulai. Brasil/Portugal, 1996. Com Felipe Pinheiro, Dina Sfat, Mário Viegas. 85’. >> O filme narra a história de Antônio José da Silva, brasileiro chamado de “o judeu”, que foi torturado pela inquisição por crime de judaísmo. O filme era um projeto do cineasta Alberto Cavalcanti. Classificação etária – 16 anos.

Sex 14
18h30 – A casa assassinada de Paulo César Saraceni. Brasil, 1971. Com Norma Bengell, Carlos Kroeber, Nelson Dantas. 103’. >> Baseado na novela de Lúcio Cardoso. Uma carioca chega a uma mansão de uma tradicional família no interior de Minas para se casar com o filho mais novo do clã. Classificação etária – 14 anos.

Sáb 15
16h – Lábios sem beijos de Humberto Mauro. Brasil, 1930. Com Didi Vianna, Paulo Morano, Lelita Rosa. 53’. Sessão com acompanhamento de piano ao vivo por Cadu. >> Moça rica, moderna e mimada se apaixona por um homem. Por coincidência de nomes, pensa que sua irmã caçula também está apaixonada por ele, o que a faz romper o namoro. Classificação etária – livre.

18h – O bandido da luz vermelha de Rogério Sganzerla. Brasil, 1968. Com Paulo Villaça, Helena Ignez, Sérgio Mamberti. 92’. >> Assaltante de residências de São Paulo, alcunhado o bandido da luz vermelha, aterroriza a cidade com sua ousadia e suas técnicas inusitadas de ação.
Classificação etária – 14 anos.

Dom 16
16h – Cabra marcado para morrer de Eduardo Coutinho. Brasil, 1984. 119’. >> No início dos anos sessenta, um líder camponês é assassinado no nordeste. Com o golpe militar, as filmagens foram interrompidas e só foram retomadas dezessete anos depois, focando na viúva e seus dez filhos. Classificação etária – 14 anos.

18h – Rio Zona Norte de Nelson Pereira dos Santos. Brasil, 1957. Com Grande Otelo, Malu Maia, Jece Valadão. 86’. >> O filme retrata o cotidiano dos morros cariocas e a história de um compositor que teve seus sambas roubados por um radialista. Classificação etária – Livre.

A programação completa você acessa aqui. Ainda haverão as pré-estréias dos restaurados Berlim da Batucada (1944) de Luiz de Barros e Bonequinha de Seda (1936) de Oduvaldo Vianna nos dias 20 e 21 de Maio.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Metrópoles


São Paulo S.A., de Person

O Cadernos te indica mais uma mostra que vai fazer muita gente viajar mundo afora! A mostra O cinema e a grande cidade tomará o Instituto Moreira Salles do Rio (Rua Marquês de São Vicente, 476, Gávea) dessa sexta, 7 de maio, até o dia 27.

Filmes com tramas que relacionam seu espaço com os personagens são muito ricos para buscarmos diferentes olhares sobre a questão da relação do homem e seu meio. Além disso, grandes diretores sempre têm diferentes visões sobre determinadas cidades, como Hugo Carvana e Nelson Pereira dos Santos sobre o Rio de Janeiro.

A doce vida, de Fellini

É também uma grande oportunidade para ver (ou rever) grandes clássicos na telona. Manhattan, A doce vida, Hiroshima, meu amor e Último tango em Paris marcaram a história do cinema e eternizaram suas cidades em sua época em película. De Nova York a Argel, de Salvador a Moscou, de Bruxelas a Tóquio, essas viagens já cumpriram seu destino de chegarem a muita gente – agora falta você chegar até elas.

Haverá várias sessões em todos os dias de funcionamento do IMS (terça a domingo), e os cartões de embarque saem por R$ 10 a inteira e R$ 5 a meia. Para programação completa, sinopse dos filmes e folheto da mostra, visite a página da mostra. E boa viagem!

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Kino vermelho

Sem ter o que fazer nas quartas? Sem dinheiro nem para pagar a sessão mais barata da semana? Tédio e desilusões cine-financeiras te deprimem?

O Cadernos traz a solução para você! Que tal viajar? É, para a Alemanha! E que tal conhecer o mundo cinematográfico da Alemanha Oriental? É o que o SESC Copacabana (Rua Domingos Ferreira, 160 – na altura da Rua Santa Clara) propõe: filmes da DEFA de 1946 a 1992. As sessões acontecem todas as quartas, sempre às 19h – com distribuição de senhas meia hora antes de cada sessão. Sim, é digrátis!

A mostra começou no dia 28 de abril (sendo que recebemos a newsletter no dia 30), mas vai até a última quarta de maio, dia 26. Os quatro títulos do mês são Sabine Kleist, 7 anos; Rastro de pedras; Os arquitetos; e O muro. Veja as sinopses e programe-se!

5 maio, 19h: Sabine Kleist, 7 anos

Sabine Kleist, 7 Jahre, 1982, 72 min, cor. Direção: Helmut Dziuba. [livre]
Sabine passou a infância em um orfanato após a morte dos pais. Foge do orfanato no
mesmo dia em que sua educadora entra em licença-maternidade. Por vários dias e noites
perambula sozinha pelas ruas de Berlim Oriental, antes de se apresentar à polícia e
retornar ao "lar". Realização da DEFA completamente atípica.

12 maio, 19h: Rastro de pedras

Spur der Steine, 1966, 129 min, pb. Direção: Frank Beyer. [12 anos]
No canteiro de obras, desleixo e oportunismo prevalecem. Quando a jovem engenheira e
o recém-empossado secretário do partido chegam, conflitos estão ocorrendo, pois
equilíbrio precário entre a direção e os funcionários ameaça ruir. Foi censurado em
dezembro de 1965, retirado de cartaz, e só voltou em novembro de 1989.

19 maio, 19h: Os arquitetos

Die Architekten, 1990, 102 min, cor. Direção: Peter Kahane. [12 anos]
Daniel Brenner só participou de projetos padronizados. Por indicação de um
ex-professor, é nomeado arquiteto-chefe para uma nova área residencial. Seus sonhos
esbarram nas imposições da burocracia. Parte do Muro teve de ser reconstruída para as
cenas ocorridas em 1989. Esse filme foi a última produção da defa.

26 maio, 19h: O muro

Die Mauer, 1990, 96 min, cor e pb. Direção: Jürgen Böttcher. [livre]
Registro da queda da fronteira entre as duas Alemanhas, marcando o fim da RDA e a
vitória da Alemanha Ocidental. Turistas japoneses fotografam, crianças de origem turca
tiram pedaços para vender, várias equipes de filmagem do mundo todo em ação,
testemunhas dos últimos momentos do "idealizado muro de proteção antifascista".

E bom filme!

domingo, 2 de maio de 2010

Megalomania op

Por Gabriel Giraud

O paraíso de todo diretor de cinema é ter seu filme classificado com “sem restrições orçamentárias” por seu estúdio. O documentário sobre o filme inacabado O Inferno, de Henri-Georges Clouzot, recebeu esse honraria assim que os produtores viram os testes de filmagem. Nem o céu era o limite para eles.

Eis a ideia do filme: um homem se casa com uma mulher, eles vão a um hotel de veraneio na margem de um lago, ele tem ciúmes da esposa. A gente até pensa numa vibe meio Dom Casmurro, tem até um Escobar com pinta de Don Juan no filme.

No entanto, quando um gênio resolve fazer um filme, nada é assim tão simples. Clouzot não queria pouco; ele queria revolucionar o cinema francês. Queria repensar os aspectos visuais do cinema, sacudir a nouvelle vague. O marido, ciumento, começa a ter distorções da realidade que o cerca, de modo que tudo converge à concretização do adultério por sua mulher.
E as distorções partem da repetição obsessiva de suas palavras, que vão seguindo um tom psicótico. E a realidade, no filme, em preto-e-branco, atinge um ápice de loucura em cores doentias. Cores estas que estavam florescendo nos anos sessenta, com influências da op art e da arte cinética.

Eis a matéria de O Inferno de Henri-Georges Clouzot, de Serge Bromberg e Ruxandra Medrea. Eles nos levam ao espanto e à atração causada pela deformação da realidade concebendo padrões estéticos no campo multicor e geométrico aliados à narrativa. E Clouzot pôs sua equipe em histeria nos seus devaneios artísticos. Mas não é só técnica que brinda e faz brilhar os olhinhos do espectador. Romy Schneider é o ícone do filme, aparecendo em todas as cores e luzes, e, ainda, além de ser a protagonista do filme não-realizado, é a heroína do documentário por ter conseguido segurar a onda do diretor.

Além da estupefação, a grande sensação que esse documentário nos deixa é, definitivamente, frustração. Não só apenas por estar no limbo uma quase obra-prima, mas por evidenciar a monstruosidade que um gênio pode ter quando vive o purgatório de filmagens que não acabam. Clouzot faria seu paraíso fundando um marco histórico no Cinema. E, certamente, vários Clouzots já passaram por esse mundo – pena que só o inferno de um deles é colorido.


sábado, 1 de maio de 2010

Divertimento e diversão

Por Rafael Mathias


Quer fazer filme blockbuster, faça direito! Quer ver filme blockbuster, escolha direito! E a escolha certa seria Homem de Ferro 2. Pra quem gosta de superproduções o filme é um prato cheio; pra quem não gosta, fica difícil resistir.

Diferentemente do primeiro filme sobre o super-gênio-milionário-fanfarrão-herói Tony Stark, esta continuação tem seu foco, sobretudo, nas cenas de ação. E não pense que isso é uma coisa ruim. As sequências são de tirar o fôlego, e fazem seu ingresso+pipoca valerem a pena.

Percebi muitos erros de continuidade grotescos. Algumas cenas são difíceis de engolir, mas convenhamos, se tratando de Homem de Ferro 2, entramos na sala de cinema exatamente para vivenciar o impossível.


Mas a superação vem no descaso e o desapego de Stark, chave do filme e mérito total da ótima atuação repetida por Robert Downey Jr. no papel. O filme é recheado de ótimos diálogos e tiradas sensacionais. Mickey Rourke se encaixa bem no papel do vilão, que disputa em estilo com Stark. Todos os outros personagens tem figurinos bastante quadrinescos. Esse é o segredo dos dois filmes, o bom humor.

Homem de Ferro já pode ser considerada a franquia mais bem sucedida da Marvel Studios (mais ainda do que Homem- Aranha, na minha opinião), assim como Batman nos cinemas pela DC. O que os dois tem em comum? São ótimas histórias de super-herói adaptadas dos quadrinhos, de dois milionários e seus incríveis equipamentos. O que os dois tem de diferente? Christopher Nolan e seu Batman são mau-humorados, já Jon Favreau e seu Homem de Ferro são simpatia pura. Portanto, divirta-se.

Cenas: A luta do novo Rhodes e contra Tony Stark armaduras só vale pela música. A sequência de Scarlett Johansson em seus malabarismos vale o filme todo. A cena pós-créditos é orgástica para os fãs de quadrinhos.



A chave de 'O Segredo dos Seus Olhos'


Você sabe quem é Akira Kurosawa? Sua carreira se esticou ao longo de 50 anos, com 30 filmes, dois Oscar de melhor filme estrangeiro e um prêmio honorário da Academia de Hollywood. Com o apoio de cineastas como: Francis Coppola, George Lucas e Martin Scorcese, obteve recursos para criar obras-primas modernas e ser reconhecido por seu estilo. Kurosawa não seguia uma linha, criou desde dramas históricos samurais à crítica da sociedade e adaptações da literatura. Seu primeiro filme, Sugata Sanshiro (1943) foi catalisador para sua popularidade e deixou as audiências ocidentais fascinadas com os seus trabalhos, nos quais muitos cineastas se guiam e estudam até hoje.

Falando nisso, saiu na Folha de São Paulo um texto sobre os 100 anos de Akira Kurosawa, onde podemos ler sobre cenas de filmes atuais inspiradas nos clássicos do cineasta. E adivinha o filme relacionado com às obras do diretor japonês? Exatamente, o premiado O Segredo dos seus Olhos! A cena da perseguição num estádio lotado lembra muito a do Cão Danado (1949), filmado em Tóquio pelo Kurosawa - a diferença é que em um o jogo é de futebol, no outro é um jogo de beisebol. Agora, lembra daquela outra cena do argentino em que a câmera filma um estádio de longe para sobrevoá-lo e assumir o ponto de vista da torcida? Aqui embaixo você pode ver como foi feita:

Nada mal, né?

Merhaba!


O Cadernos entra com mais um post de serviço para nosso caríssimo público. Dessa vez, viemos trazer a notícia de uma mostra que começou dia 27 de abril (terça) e vai até dia 9 de maio (domingo e dia das mães!). É a mostra Pérolas do Cinema Turco, que vai rolar na Caixa Cultural do Rio (na Carioca, R. Almirante Barroso, 25). Os filmes retratam a diversidade da Turquia, um país que tem suas influências culturais na divisa do Ocidente e o Oriente, além de ter uma língua única, pelo fato de ter sido regularizada e, de certa maneira, artificializada, na década de 20. A Turquia é o único país do mundo muçulmano que é laico, e isso é uma das controvérsias que permeiam esse belíssimo país.

Press release da assessoria da CAIXA:

A CAIXA Cultural Rio de Janeiro apresenta, de 27 de abril a 9 de maio, “Pérolas do Cinema Turco”, mostra cinematográfica que traz ao público a oportunidade de assistir aos mais importantes filmes produzidos na Turquia de 1964 a 2006.

Um olhar da história do cinema turco, esta é a proposta do curador da mostra, Arndt Röskens, ao selecionar para a programação dez de seus filmes mais apreciados. Uma oportunidade única, pois embora nos últimos 50 anos se tenha produzido na Turquia um número considerável de filmes de boa qualidade – alguns com enorme repercussão internacional –, a maior parte de seus títulos nunca foi lançada no circuito comercial ou em DVD no Brasil.


Entre os filmes exibidos estão três do maior cineasta turco, Yilmaz Güney, “Esperança” (Umut / Hope, 1970), que entrou na história do cinema turco pela altíssima qualidade cinematográfica; “O rebanho” (Sürü / The Herd, 1978), que foi dirigido por Güney de dentro da prisão e tem sua direção formalmente atribuída a Zeki Ökten; e, por fim, o filme mais popular do diretor, “O caminho” (Yol / The Way, 1982), também dirigido enquanto o cineasta estava preso por conta de suas atividades políticas nos anos 70. Todas a produções de Yilmaz Güney serão exibidas em película 35mm.

A mostra, também, vai exibir o grande clássico do cinema turco, “Verão seco” (Susuz Yaz / Dry Summer, 1964), que ganhou o Urso de Ouro no Festival de Berlim de 1964. O seu realizador, o cineasta Metin Erksan, foi recentemente homenageado com uma retrospectiva da Cinemateca Francesa, em Paris. O filme conta a disputa entre dois irmãos no interior da Turquia por uma mulher e, como pano de fundo igualmente importante, a luta pela água nas terras secas do campo.

A mostra "Pérolas do Cinema Turco“ traz, ainda, mais seis filmes de grandes cineastas. Dois importantes filmes de Ömer Kavur e Atif Yilmaz – cineastas há muito consagrados e com inúmeras realizações no currículo –, além dos primeiros filmes de Nuri Bilge Ceylan, Reha Erdem, Yesim Ustaoglu e Zeki Demirkubuz – cineastas contemporâneos mais recentes e que estão despontando no cenário internacional.

E vale lembrar que as sessões acontecem todos os dias (exceto segunda-feira), em duas salas com duas sessões cada: 17h e 19h30. A inteira sai por R$ 4 e a meia, R$ 2. Mais informações no site da Caixa: www.caixa.gov.br/caixacultural. Allaha ısmarladık!